SEJA BEM-VINDO(A) AO SÍTIO DA MÚSICA QUE TOCA O DIA-A-DIA

"Sou um poeta relatando a... vida secular e o meu canto é a voz do cancioneiro popular, o mote da rotina do ir e vir, a toada do eterno caminhar, o aboio do dever que sempre chama, o 'ritmo e poesia' das batidas do coração que mantém o corpo em pé e não deixa morrer a fé!". G.N.
<a href="http://supravidasecular.bandcamp.com/album/ritmada-eloq-ncia-po-tica-vol-i-ep">Causa Primária by S.U.P.R.A. Vida Secular!</a>

ENTREVISTAS e MATÉRIAS

A obra do projeto SUPRA Vida é observada em resenha - extraída do release original - publicada no blog Volume, do Jornal Extra Online. LEIA +

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"Mais conhecido pela alcunha de S.U.P.R.A. Vida Secular, este músico e compositor conta (...) à MONDO77.FM (...) o significado do projeto que vem desenvolvendo". Por: Gabriel Gurman.


O rap brasileiro não é para qualquer um. Calcado em letras que denunciam uma realidade violenta que ninguém quer ver, o estilo ainda carrega uma forte carga de preconceito e sofre para chegar a todas as classes sociais no Brasil. Como conseqüência disso, ao contrário do rap americano, mais pop e apelativo, acaba restrito ao seu local de origem: guetos ou periferias.

Apesar disso, alguns rappers caminham por outro rumo. Não deixam de fazer música de protesto, mas suas denúncias são feitas com otimismo e positividade. É nesse cenário que aparece o carioca Gustavo Nobio. Mais conhecido pela alcunha de S.U.P.R.A. Vida Secular, este músico e compositor está prestes a lançar seu primeiro álbum e conta à MONDO77.FM sobre sua ligação com o movimento hip-hop, a importância desse gênero musical na sociedade e explica o significado do projeto que vem desenvolvendo. Confira abaixo a entrevista:



MONDO77.FM: Quando você percebeu que tinha talento para compor e interesse em fazer música?
Gustavo Nobio:
Eu deveria ter entre 14 e 15 anos de idade. Isso aconteceu há muito tempo, no milênio passado, por volta de 1989, 1990. Desde moleque, sempre gostei bastante de quadrinhos (especialmente os de super-heróis). Meu sonho era ser desenhista e trabalhar na Marvel ou na DC Comics, mas eu não tinha o menor talento pra isso. Meus pais viviam comprando papel, lápis de cor e material para desenho e incentivavam como podiam minha precoce inclinação para a arte – pelo fato de eu sair rabiscando tudo que via pela frente. Aos poucos, fui percebendo que era muito melhor com as palavras do que com as figuras. Já sendo, naquela época, admirador de ficção científica e leitor assíduo da Issac Asimov Magazine (um livrinho de contos que era publicado todos os meses no Brasil), comecei a inventar as minhas próprias historinhas e alimentar a vontade de ser escritor ou roteirista. Mal sabia eu que aquilo nada mais era que uma espécie de “estágio” para a formação do letrista que viria a seguir. De forma inconsciente, eu já absorvia algumas informações musicais dentro da minha própria casa, onde podia-se ouvir (velhos vinis de) Evaldo Braga, Benito di Paula, Roberto Carlos, Martinho da Vila, Michael Jackson, Jimmy Cliff, Phil Collins, Ultraje A Rigor, Paralamas do Sucesso etc. Mas meu estalo aconteceu mesmo quando ouvi um disco do (sumido) M.C. Hammer chamado Please Hammer Don`t Hurt`Em (1990), emprestado por uma amiga. Foi a música "Pray" (com sample de Prince, faixa 2 do lado B) que despertou em mim o desejo de compor. A partir daí, as rimas pueris foram nascendo, cresceram, amadureceram e tornaram-se mais ousadas poeticamente. Gradativamente, minha percepção musical se aperfeiçoou e virei também melodista (devido ao interesse por música brasileira e jazz).

E quem é Gustavo Nobio?
Gusnob é um amante incondicional da música e entusiasta da arte; um jovem sonhador que vive no universo da criação. Sou natural do Estado do Rio de Janeiro, fui criado na região metropolitana e moro em Niterói, cidade que já revelou grandes músicos. Trabalho na construção de letras e sons, sou um operário musical.

Da onde surgiu o nome S.U.P.R.A. Vida Secular?

Esse nome surgiu em 2003, inspirado nas divagações durante o percurso de ida e volta pela ponte Rio-Niterói ao longo de uma semana de batalha. Sentia a necessidade de expressar minhas impressões sobre a vida, musicalmente falando, através de um apelido que representasse um conceito: Suprema Unicamente, Porém Rígida Absolutamente Vida Secular.

Como anda o processo de gravação de seu primeiro álbum inteiro, Ritmada Eloqüência Poética (Vol. I). Por que só agora um disco cheio?
Comecei a gravá-lo em dezembro de 2007, um pouco antes do Natal. Está sendo produzido por mim (responsável pela autoria de todas as canções e concepção musical) e pelo Raul Rachid (teclados e programações). O disco será composto de 12 faixas e será lançado ainda este ano num esquema 100% independente (o famoso faça você mesmo/do it yourself) - falta pouco pra ser concluído. Poderá ser ouvido também na internet e futuramente pretendo disponibilizá-lo para download. O interesse de algum selo ou gravadora é bem-vindo, o que proporcionaria levar o formato físico a um público muito maior, mas... não há nada certo nesse sentido. A primeira música de trabalho, “Sorriso Miserando”, já está disponível aqui na MONDO77.FM. Costumo dizer que esse álbum é o meu primeiro filho: motivo de muito orgulho e realização de um sonho pessoal. A semente já havia sido plantada em 2005, quando gravei um single com duas músicas intitulado Compacto Simples (Mente). Com o tempo, a gente aprende que não se deve depositar muita confiança em promessas. É preciso arregaçar as mangas e meter a mão na massa. Corri atrás, suei a camisa e consegui captar recursos para viabilizar a produção (deixando bem claro que não tenho pai rico e não fui beneficiado com nenhuma lei de incentivo!).

No seu blog, você comenta que um DJ turco tocou em uma rádio americana uma música sua, ou seja, de um brasileiro. Como você vê o cenário musical mundial dos dias de hoje?
Sem dúvida nenhuma, está muito mais fácil divulgar um trabalho, pois não precisamos mais depender das companhias fonográficas e muito menos do CD, deixando que a rede mundial de computadores assuma a função de vitrine e divulgadora. Eu percebo que, em termos de qualidade artística, a coisa não anda tão boa assim. Embora a oferta de bandas e cantores seja gigantesca, os avanços da tecnologia fizeram com que a música ficasse um pouco fria ou se transformasse em fundo musical para vídeoclipe na era MTV. O Kerem Gokmen, que comanda o programa Dubmission (que vai ao ar semanalmente pela rádio WYEP (do estado da Pensilvânia - EUA), é um verdadeiro exemplo de homem a serviço da boa música. O cara não é guiado pelas tendências de mercado, toca aquilo que tem personalidade e verdade musical.

Nos EUA, o hip-hop tomou conta do grande mercado e ultrapassou as barreiras do gueto. Aqui no Brasil, apesar do sucesso do Racionais em 1998, você acha que essa barreira ainda é grande?
Penso que já foi até maior, mas poderia ter uma penetração mais abrangente. Isso tem a ver também com espaços, oportunidade e investimento. No Primeiro Mundo, um artista de rap que fica milionário faz seu dinheiro circular, monta um selo e dá a chance de um artista menor mostrar o seu som. Aqui a coisa é diferente, parece que existe uma certa resistência por parte dos grandes artistas, para abrir as portas aos que estão chegando. É tudo muito mais difícil no Terceiro Mundo, mas as barreiras existem pra serem quebradas.



Você acha que no Brasil, o hip-hop é naturalmente uma música de protesto?
Sim, pelas condições sociais e culturais deste País. A crítica é genuína a partir do momento que temos fome no Nordeste, falta de saneamento básico na periferia, moleque cheirando cola, ensino público deficiente, sistema de saúde precário e preconceito racial. A origem da música rap é norte-americana, mas a denúncia é brasileiríssima.

Em “Samba do Vacilante” você faz uma letra contrária às drogas e à violência. O que você acha das letras que fazem apologia ao crime?
Todos são responsáveis por aquilo que defendem. Se numa música alguém glorifica as armas e o uso de entorpecentes (ou faz menção a isso nas entrelinhas) não poderá reclamar quando for vítima da violência (que não faz distinção de ninguém). Há um ditado que diz que o feitiço às vezes volta contra o feiticeiro, e isso é uma grande verdade. O compositor tem que ter a responsabilidade de não passar péssimos exemplos de conduta para a juventude.

Você acha que uma letra pode ter poder de transformação ou, pelo menos, exercer grande influência em uma pessoa?
Sou prova viva disso. Fui influenciado pelas boas mensagens que li e ouvi e a minha música reflete positividade e otimismo em relação ao futuro.

Como você avalia a função social do rap?

Um dos grandes trunfos desse tipo de música é o seu grande poder de formar opinião e agregar pessoas. Ele educa quando deixa de ser extremista para ser articulado, baseando-se em fatos históricos que, misturados a alegorias, explicam a realidade da sociedade brasileira e levantam a bandeira da auto-estima do povo afro-descendente. O rap funciona, a meu ver, como ferramenta de valorização e respeito em relação às camadas mais carentes.

Na última Virada Cultural em São Paulo, o palco de rap ganhou um grande reforço na segurança e a revista foi muito mais rigorosa e severa. Você acha que o rap e os rappers ainda sofrem muito preconeito?

Lógico que sim. É preciso dizer que artistas bem intencionados e conscientes pagam por aqueles sem nenhuma responsabilidade e que fazem mal uso do discurso violento que adotam.

Suas letras são autobiográficas?
Posso afirmar que pelo menos 80% delas representam o espelho da visão que tenho desse mundão que procuro entender. Minha sede de expressão é enorme, é a SUPRA Vida e, quem sabe, viver faz parte dessa torcida.

Para onde caminha o hip-hop nacional?
Noto que o gênero vem se sofisticando cada vez mais, fico contente em saber que repeadores importantes como Marechal, Dom Negrone, Parteum (Mzuri Sana), Aori (Inumanos), Kamau, Paulo Napoli e vários outros promovem uma intensa “campanha” de elevação do ritmo e poesia como uma autêntica forma de arte contemporânea.

Existe algum público específico a quem você gostaria de atingir com as suas canções?
Minha música é direcionada a todas as classes sociais que estejam dispostas a me ouvir, não quero que minha mensagem fique restrita a determinado grupo ou tribo. A intenção é que atinja o maior número de pessoas possíveis, dos barracos às mansões, e cumpra sua função: divertir e informar.

Texto: Gabriel Gurman

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"O rapaz é de Niterói (Rio de Janeiro) e criou o S.U.P.R.A. Vida Secular!, um projeto musical filosófico, como ele mesmo diz. Parece estranho, e é. Mas é interessante também". Por: Cláudio Alcântara (Diário On).


Respirando música 24 horas por dia



Gustavo ‘Gêiser’ Nobio: Letrista, melodista,
‘repeador’; toca um instrumento chamado ‘cordas vocais’
Cláudio Alcântara

Gustavo “Gêiser” Nobio é letrista, melodista, “repeador” e toca um instrumento chamado “cordas vocais”. Escreve compulsivamente, vive no universo da criação, mergulha na canção, passeia pelas rimas e batidas, respira música 24 horas por dia. É assim que o cara se apresenta no site Trama Virtual, onde é possível conferir se está dizendo mesmo a verdade. Algumas músicas estão “on-line”, num gênero definido como Brasil/Nova MPB. O rapaz é de Niterói (Rio de Janeiro) e criou o S.U.P.R.A. Vida Secular!, um projeto musical filosófico, como ele mesmo diz. Parece estranho, e é. Mas é interessante também.

Explicando: S.U.P.R.A. Vida Secular! é formado por Gusnob Mac Lou, Gêiser, Nobio da Paz e Rimano Geene, ou seja, ele, ele mesmo, além do próprio, e em pessoa. O idealizador define seu projeto como uma viagem musical solitária (com a colaboração de músicos convidados), tendo a vida como sua principal fonte de inspiração.


Quando ele fala vida quer dizer: bossa nova, samba, choro, baião, xote, xaxado, embolada, repente, moda de viola caipira, folk, blues, rock, soul, funk, jazz, reggae, raggamuffin, mambo, salsa, enfim, de tudo um pouco serve para o cara fazer seu estilo musical. “A minha munição é uma caneta entre os dedos e uma idéia alucinante. Lapido as palavras e transformo a poesia ritmada em diamante”, diz


É um músico sonhador, como tantos outros que há por aí. Ele conta que seu intento de formar uma banda era um sonho antigo, desde a época em que participava de festivais de canção estudantil como artista solo. E foi nesse tempo, entre os anos de 1998 e 2000, que o jovem compositor gravou seus dois primeiros CDs, em que participa como autor e intérprete vocal. Daí começou a pensar na reunião de instrumentistas para trabalharem na elaboração de arranjos de um repertório próprio já pré-selecionado por ele, montar um grupo, gravar, produzir e cair na estrada


A proposta é fazer hip-hop de primeira com influências e introduzindo elementos de música popular brasileira, a fim de obter uma identidade mais “tupiniquim” para o ritmo e poesia (“rep”), unindo simplicidade com requinte e sofisticação.


Exageros à parte, ele conseguiu.




S.U.P.R.A. Vida Secular! - Com Gustavo Nobio. De Niterói (Rio de Janeiro).

Som Alternativo - Para participar desta coluna (bandas de todo o Brasil) é só enviar material para:
claudioalcantara@pop.com.br
lazer@diarioon.com.br

Contramão - Para ficar por dentro de tudo que rola na cena alternativa é só acessar as dicas de Márcia Brasil:
www.contramao.net
www.radiomundorock.com.br


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"Toda crise é terreno fértil para novas iniciativas. [As redes sociais] oferecem ferramentas de divulgação para novos artistas à procura de reconhecimento. O músico Gustavo Nobio, do projeto
S.U.P.R.A. Vida Secular!, utiliza (...) para espalhar seu trabalho..." . Por: Marcus Vinícius Brasil (Caderno Link/O Estado de S. Paulo).



Pronto para criar o seu próprio selo de música virtual?


Site Next Big Sound é plataforma para artistas novatos e para quem quer ouvir músicas novas antes de todo mundo


por Marcus Vinicius Brasil


Toda crise é terreno fértil para novas iniciativas. No caso dos problemas enfrentados pela indústria fonográfica, não é diferente. O site Next Big Sound prova isso. A idéia é simples, mas divertida.

É possível fazer dois tipos de cadastros; um para artistas e outro para “mecenas”. Se você for um músico, suas faixas serão tocadas na rádio do site. Como mecenas, pode escolher artistas para criar seu próprio selo independente virtual.

“A idéia foi concebida originalmente como uma alternativa ao processo de recrutamento em grandes gravadoras. Nos inspiramos no poder de democratização da internet”, diz David Hoffman, um dos criadores.

É possível escalar até dez artistas em cada selo. Quanto mais pessoas adicionarem um artista que faz parte de seu selo, mais valorizado ele fica. O artista também ganha pontos.

Os artistas mais bem ranqueados ganham destaque na homepage. E os mecenas com bom faro ganham fama no site.

Por enquanto é apenas uma brincadeira, artistas e mecenas não ganham dinheiro. Também não há previsão de qualquer tipo de iniciativa fora do plano digital. Mas Hoffman diz que o retorno tem sido positivo. “Tenho certeza de que estamos conectando artistas e ouvintes, e todo fã dá apoio a iniciantes.”

Para quem está começando a criar seu selo, Hoffman sugere que “ouça muitas músicas para reunir bandas que lhe interessem” (leia mais dicas de gravadoras reais no texto ao lado).

Mas não são só o Next Big Sound e o já manjado MySpace que oferecem ferramentas de divulgação para novos artistas à procura de reconhecimento. O músico Gustavo Nobio, do projeto SUPRA Vida Secular, utiliza muitos deles para espalhar seu trabalho.

Há duas semanas, ele lançou um álbum virtual no Last.FM. “O MySpace permite que apenas seis músicas sejam colocadas de uma vez. Por isso procurei alternativas”. No começo da carreira, ele distribuía músicas gravadas em fitas K-7. “Hoje pelo menos tenho a certeza de que meu trabalho não ficará preso no correio”. Ou esquecido dentro de um envelope.




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